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CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS

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"Peguei um país ruim" e Nacionalismo Transferido

  • 9 de jun. de 2016
  • 3 min de leitura

Por vezes, quando participei em simulações como diretora, professora-assistente ou até mesmo como delegada, me deparava com frases de delegados, no tipo: "Mas como vou representar um país tão diferente?", "Não faço a menor ideia de como me comportar" ou "Pena que peguei um país ruim". Pois bem, não é sempre que um modeleiro tem a chance de representar uma nação que possua o mesmo pensamento que o seu. Certas vezes, quando simulei, tive que fazer o papel de "carrasco" mesmo. Sem falar que, acontece muito do delegado ter uma concepção errada de seu país, uma espécie de preconceito que o limita completamente. Então... antes de classificar o seu país como o malvado da história, pergunte-se se não está aplicando-lhe um conhecimento nas bases do senso comum, sem nenhuma investigação detalhada ou reflexão acerca do assunto. Às vezes acabamos por mudar totalmente de ideia após o melhor entendimento daquela cultura ou do porquê de ter feito aquilo. Gostaria muito de falar que, após estabelecer um senso crítico, representar qualquer país seria um "mar de rosas", mas nem sempre é assim. Não existe escapatória ao representar uma Alemanha Nazista, por exemplo. Você terá que ir contra o que acredita. Não fique triste caso isso acontecer, é bem provável que muitos ali tenham que enfrentar este mesmo desafio, e não só os delegados quanto a Mesa sabem que você estará se esforçando ao máximo para permanecer no personagem. Sobre o comportamento especificamente. Um bom estudo sobre o tema do comitê e da política externa de seu país, já vai dar uma boa ideia de como você deve se comportar durante a simulação, o que você deve fazer, quais os seus aliados etc. Caso não, a diretoria está a sua disposição. Outra coisa que ajudará você a entrar no espírito das simulações é o nacionalismo transferido. Nacionalismo transferido se refere a incorporação ferrenha das nacionalidades pelos delegados durante as simulações. Este nacionalismo pode ser cantar o hino de seu país em um discurso, exibir orgulhosamente a bandeira estrangeira, cumprimentar a diretoria em sua língua oficial; como também fazer discursos sempre levantando os valores morais de sua nação, quando se é delegado de algum país do oeste europeu ou Estados Unidos; fazer discursos mais acalorados e polêmicos, tratando de representantes do Oriente Médio; ou sempre tentar fazer o papel de moderador como é o caso do nosso Brasil brasileiro. Trago para os senhores algumas das minhas experiências. Em algum momento da minha primeira simulação, o delegado afegão profere: "Desculpem-me, mas terei de me ausentar da discussão, pois está na minha hora de orar", em seguida ele puxa uma espécie de tapete, coloca-o em direção a Meca e abaixado profere palavras em árabe por alguns minutos. Achei isso genial! Na mesma simulação, o ex coordenador da escola, Diógenes Moreira, aproximou-se para conversar com uma delegada vestida inteiramente com uma burca e descobre que ela só poderia falar se estivesse acompanhada de um homem familiar a ela; entre outros tipos de comportamento como referir-se ao monarca de seu país como "o soberano al-Nahyan" (Emirados Árabes Unidos), a seu país como a "mãe Rússia" ou até chorar ao saber que seu país foi vítima de um atentado terrorista. Na minha opinião, o legal mesmo é poder comportar-se de maneiras diferentes a cada simulação. Já tive que agir de forma totalmente insensível e prepotente, tendo que me defender mais; ou mais neutra, podendo atacar, mas de um jeito a não irritar meus parceiros comerciais etc. No fim das contas, o que esperamos dos senhores está na fala inicial de qualquer apresentação de como funcionam modelos das Nações Unidas. "Quando você entrar lá, você não é brasileiro, você é (inserir nacionalidade de seu país aqui)".

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